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Entrevista
Vera Volotão, 37 anos é artesã, professora
e dona de casa. Sua primeira vivência com o eneagrama há
10 anos foi um divisor em sua vida. Nesta entrevista, ela fala deste
caminho de crescimento que lhe ajudou a se tornar um ser humano
melhor.
Eneagrama: Como foi o seu primeiro
contato com o Eneagrama?
Vera Volotão: Estava
numa fase intensa de autoconhecimento, quando conheci o Luiz Mauro
que me indicou esse trabalho. Isso há 10 anos. Sinto que
o Eneagrama nunca mais saiu de mim. O tempo inteiro ele está
na minha vida, seja na observação sobre mim, sobre
o outro, em várias situações que ocorrem
na nossa vida cotidiana.
Eneagrama: O que significou para
você naquele momento?
Vera Volotão: Foi
um grande choque. Era muita informação sobre mim mesma,
sobre a forma de funcionar das pessoas. Um mundo novo que se abria
naquele momento e que seria impossível voltar aqueles velhos
padrões. Fiquei muito reflexiva. Eu não tinha noção
da reverberação de tudo aquilo.
Com
a manutenção, reuniões realizadas mensalmente,
toda aquela informação foi para outro nível
de consciência. Costumo dizer que minha vida tem dois momentos,
antes e depois do Eneagrama. Ele chegou como uma luz que clareou
e trouxe a verdade sobre mim. Isso foi muito forte, pois vivia
num mundo irreal; depois eu vi o mundo como ele é, com
suas alegrias e tristezas, com todas as cores que ele tem.
Eneagrama: Quais verdades sobre você?
Vera Volotão: Eu sou
de um tipo de ego que usa uma estratégia de superioridade,
de auto-
importância, de não reconhecer a própria necessidade,
de orgulho. Isso foi uma das coisas que mais me chocou pois achava
que era muito humilde, sempre gostei de ajudar as pessoas menos
favorecidas, etc. Eu acreditava ser uma pessoa especial escolhida
por Deus, para ajudar as pessoas aqui na Terra; e que existiam
poucas como eu no mundo. No Eneagrama a palavra chave desse Ego
é "Orgulho", foi a última coisa que pensei
ser : "Bom, orgulho não, porque não sou orgulhosa".
Com a manutenção, entendi o que era este orgulho.
Não é o significado ordinário que usamos
no dia-a-dia, é algo muito mais sutil e profundo. Quando
falaram do meu tipo, que eu ainda não sabia que era esse,
eu fiquei abismada, pois o expositor falava de segredos meus,
guardados a sete chaves; e que eu achava que só eu sabia...
Vivia num mundo irreal para mim mesma com justificativas falsas.
Tive a sensação de estar caindo já adulta,
no planeta Terra, cheio de seres humanos. A cor do meu mundo mudou
totalmente.
Eneagrama: Pode nos dar um exemplo de como percebeu a atuação
do ego?
Vera Volotão: Percebi
uma cena que há anos se repetia: peguei um ônibus
e a passagem era R$0,75. Sempre pagava com uma nota de R$1,00
e não recebia o troco. Pensava: "Coitado do trocador,
deixa com ele, eu não preciso de R$ 0,15". Achava
que estava ajudando. Aí fui entender onde entra este orgulho.
Uma dificuldade grande de ter contato com a minha necessidade,
de não reconhecer que tenho necessidade. Uma cena que se
repetia há anos, eu achando que era por um motivo e vi
que a verdade era outra.
Eneagrama: Que benefícios o Eneagrama trouxe para sua
vida?
Vera Volotão: Aprendi
a ter mais tolerância com as pessoas. Com algumas experimentei
compaixão. Consegui entender por que certas pessoas me
incomodavam, e entendi que o outro tinha certas atitudes por pura
prisão. Ele não sabia fazer diferente. Passei a
conviver melhor com pessoas e situações difíceis
para mim. Consigo entendê-las através do Eneagrama
e ver que estão presas no automático do Ego e não
sabem porque estão fazendo certas coisas, como eu não
sabia... Quantas pessoas durante a minha vida devem ter me achado
insuportável, espaçosa, que fala demais, invasiva,
etc. Não tinha percepção nenhuma, achava
que era especial e que estava fazendo um "Bem" para
as pessoas.
Eneagrama: O
relacionamento com as pessoas e familiares melhorou?
Vera Volotão: Com certeza
melhorou muito. Claro que as relações familiares
são bem complexas. O Eneagrama não é uma
mágica, mas, me deu mais ferramentas em várias situações
em que eu parava antes e desistia de tentar ir em frente. Antes
só tinha uma possibilidade; por exemplo, reagir com raiva
pela atitude da pessoa. Com esta compreensão, posso fazer
diferente, ter mais consciência, compreendendo o contexto
em que todos nós estamos inseridos.
Eneagrama: Então realmente foi uma mudança de
visão de mundo?
Vera Volotão: Sim,
eu tinha uma visão muito otimista de mim e do mundo. Levei
um choque ao ter contato com esse mundo triste que existe dentro
de mim e todos nós, senti que estava despencando... Entendi
que o otimismo e a alegria eram falso, irreais. Como se tivesse
entrado em uma casa onde eu só percebia um cômodo,
todo colorido, cor de rosa, cores quentes. Depois do Eneagrama,
vi a casa toda, também tinham quartos cinzas e negros.
A percepção ampliou e entendi porque só via
o cômodo colorido.
Eneagrama: Participar das manutenções do Eneagrama
te ajudou a aprofundar na observação de si mesma?
Vera Volotão: Sim,
no trabalho em grupo tive a oportunidade de "digerir"
melhor as informações recebidas. Vi melhor meu jeito
de funcionar no dia-a-dia, nas pequenas coisas, na compulsão,
na repetição de situações que fico
presa por causa do ego. O espaço da manutenção
é um lugar onde alimentamos essa força da observação,
do trabalho sobre si mesmo e sobre o outro, pois é muito
fácil desistirmos. A vida ordinária leva a gente
para o automatismo e aí acabou a chance. O Eneagrama não
é uma pílula que você vai tomar e ficar feliz
para sempre. É preciso muito trabalho sobre si, persistência,
querer REALMENTE mudar.
Eneagrama: Você já recebeu algum tipo de crítica
dizendo que o Eneagrama rotula o ser humano? O que você
tem a falar sobre isso?
Vera Volotão: Já recebi sim. Temos que
tomar muito cuidado. Tem pessoas que fazem Eneagrama, e saem dizendo:
"eu sou número tal e pronto!" , sem ter um conhecimento
profundo deste caminho de crescimento pessoal. Encontrei pessoas
que são contra, que acham que é rotular. Ok, ela
tem o direito de pensar assim. Acredito que uma pessoa que julga
o trabalho sem ter passado pela experiência, sem ter se
aprofundado, isso já é uma característica
de onde a pessoa está no Eneagrama (seu ego). Na minha
opinião é uma auto-proteção. Respeito
porque vai mexer mesmo, talvez a pessoa não esteja preparada
para ver suas limitações no momento. Também
vejo que é uma característica do mundo que a gente
vive hoje, muito voltado para a superficialidade. Não é
todo mundo que quer se trabalhar, porque demanda tempo, energia,
auto-investigação, não é fácil
mesmo, mas os ganhos são infinitos.
Eneagrama: Você se tornou uma pessoa melhor a partir
deste trabalho?
Vera Volotão: Que eu
me tornei uma pessoa melhor eu não tenho a menor dúvida.
Eu aprendi com o Eneagrama (emocionada) que eu não sou
melhor que ninguém, que eu tenho problemas como todo mundo
tem, tenho capacidades e dons como todo mundo tem, nem mais, nem
menos. Que eu sou uma filha de Deus, que vim do mesmo lugar que
todos os seres humanos vieram. Isso pode parecer óbvio
para muita gente, mas para mim foi uma descoberta. Ser humano
é você vivenciar tudo, as alegrias e as tristezas.
Ainda estou descobrindo sobre mim, a cada dia eu descubro um pedacinho...
Eu estou mais feliz comigo hoje, é uma alegria mais verdadeira,
não é exagerada, falsa como era antes. A alegria
tem um lugar, mas a tristeza também tem, faz parte da condição
humana... E nós estamos aqui para viver isso.
Testimonial
Jackson
Figueiredo, 40 anos, jornalista e consultor de comunicação
e informação fala sobre seu primeiro contato com o
Eneagrama. Segundo ele, o curso deu uma sacudida na sua vida. Leia,
a seguir, o que o Eneagrama tem contribuído para a sua busca
de autoconhecimento. Leia
a entrevista.
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