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Entrevista



Jackson Figueiredo, 40 anos, é jornalista, consultor de comunicação e informação. Mas antes de tudo, um buscador. Seu primeiro contato com o Eneagrama foi em março deste ano, quando segundo ele, o curso deu uma sacudida na sua vida. Leia, a seguir, o que o Eneagrama tem contribuído para a sua busca do autoconhecimento.

Eneagrama - Você fez o Eneagrama há pouco tempo, o que te chamou a atenção e que o levou a fazer este workshop?

Jackson - Para ser sincero, o verdadeiro chamado para fazer o curso foi interior. Desde o início da minha adolescência, tenho buscado respostas sobre mim, sobre o outro e sobre o mundo. A cada tempo, essa busca se manifesta de uma forma mais intensa ou não. Mas sempre houve a inquietação de saber porque estava agindo de determinada maneira, me descobrindo... É claro que hoje tenho essa racionalização de tudo que tenho vivido... O fundamental é que tenha sentido, observado como vinha agindo... Fazer o curso, que até no dia de sua realização estava decidido a desistir, chegou a mim através de uma grande amiga que reencontrei e que insistiu (e muito) para fazê-lo. Agradeço a ela, que teve a sensibilidade de observar o momento que vivia e mostrar que o Eneagrama seria de grande auxílio no meu processo de busca interior.

Eneagrama - Pelo que entendi você já vem de uma busca interior, passou por processos de terapia? Qual o diferencial que vê nesse caminho do Eneagramana de autoconhecimento?
Jackson - O que sempre digo a mim mesmo - nossa, e como sempre conversei comigo mesmo pela vida - é que, independentemente dos métodos, as teorias, as crenças, o importante sempre é se buscar, se conhecer. Os meios variam conforme a sua sensibilidade, necessidade do momento. Assim, no retiro de grupo de jovens católicos, do qual participei quando tinha meus 12 anos, me ajudou a conhecer um pouco. Com meus pais, na labuta de cuidar de casa, armazém, três filhos e da economia maluca do país, aprendi tantas coisas que somente agora começo a reconhecer e a agradecer sinceramente. Mas também me embrenhei pela filosofia dialética, pelo materialismo histórico, que ampliaram canais adormecidos em mim. Passei também por desertos emocionais, onde nada que vem de dentro ou fora da gente faz sentido, que até parece que nem força para brotar uma semente tem mais... Também passei por sessões de terapia, que ajudaram a me entender dentro dessa profusão de inicialmente caóticas sensações, desejos e carências. Agora vivo numa espécie de síntese de tudo, através do taoísmo, da leitura diária do I Ching e do fantástico exercício que o Eneagrama me tem ensinado, que é o de se observar, se aceitar e mudar. Nesse turbilhão de emoções, sensações, aprendizados, acredito que tem sido forjada minha alma, meu ser. Se tem sido bom ou mal, isso é desimportante, como diria o Rosa. O importante é se descobrir.

Eneagrama - O que viu realmente a respeito da sua estratégia de funcionamento, do seu ego?
Jackson - Olha como são as coisas... E como, acredito, as mudanças se processam dentro de mim... De tudo que vi no curso, e olha que o Luiz apresenta um turbilhão de informações, dicas sábias, vivências, uma palavra desmontou todo o castelo de imaginações e hipóteses que tinha sobre mim: pouco. O tipo do ego 5 acha que recebeu tão pouco amor dos pais e que eles não tem mais para dar e, portanto, precisa se contentar com esse pouco. E mais, ele passa a achar que se der esse pouco que tem, vai ficar sem nada! Isso é muito doido! Para quem está lendo esse texto, talvez não tenha a noção da profundidade que isso teve para mim. Então, eu recomendo, busque sentir o que estou dizendo... Pois foi isso que fiz naquele momento, inconscientemente, lá no fundo, minhas estruturas foram mexidas, e uma dor lancinante tomou conta de mim. Fiquei ao mesmo tempo sem rumo e completamente situado. Sem rumo, porque o padrão de comportamento atual estava sendo destroçado na sua raiz, no seu âmago, portanto, pronto para me jogar do próximo despenhadeiro. Mas outra força estava vindo junto, a de sentir e entender mais sobre mim verdadeiramente e assim, renascer. A partir daí tenho compreendido como tenho repetido a estratégica do ego 5 na maior parte de minha vida e que isso já está em processo de crise profunda. Mas nada está solucionado. O Eneagrama ensina que preciso me observar mais e mais, identificar as estratégicas do ego 5 no meu cotidiano, de me aceitar, de me amar e buscar mudar através de pequeníssimas ações no meu dia- a- dia. Somente assim terei chance de sair desse "mato sem cachorro".

Eneagrama - Depois de descoberto o ego, está sendo um choque pra você lidar com isso?
Jackson - Tem hora que penso que sou doido! A sensação é de que as comportas de uma Itaipu foram abertas e eu estou lá embaixo com minha varinha para pegar alguns peixes... Quem já foi à Usina, ou mesmo ficou próximo de cachoeiras com dezenas de metros de altura de água, pode sentir um pouco a sensação que tenho sentido. Nessa hora, vale tudo!!! (até bundalêlê - brincadeirinha, heim?) Me apego a tudo que já vivi, li, aprendi na vida e que ainda posso aprender para me ajudar... É uma frase do Raul Seixas, uma máxima do Karl Marx, um poema do Lao Tse, ou até uma piada do José Simão. Tudo vale. É por isso que usei a imagem de Itaipu. Você na frente de um mundão de água e precisando agir, você não tem tempo de abrir um manual e descobrir a solução... É preciso agir! (aliás, essa é a palavra mágica para os tipos 5 como eu... é nossa tarefa cotidiana... agir, agir, agir).

Eneagrama - Mas, apesar da dor de ver essa forma automática de funcionar, deve ter algo de bom também...
Jackson - É como lhe disse... e isso o I Ching tem me mostrado diariamente... não tem bom ou mau, certo ou errado nesse nosso universo... tem lados, estações, momentos... O segredo está em você mesmo, naquilo que você é, na busca da sua felicidade. Mas isso é o oposto do individualismo exacerbado desse capitalismo neoliberal dos nossos tempos. Somente você se conhecendo, se amando, sendo feliz intimamente você conseguirá amar e sentir os outros seres humanos verdadeiramente. Portanto, o mais importante é buscar primeiramente ser feliz e assim, concomitantemente, você vai descobrindo que pode amar e contribuir com a felicidade das outras pessoas a sua volta. Somente assim, você poderá contribuir para construir uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária.

Eneagrama - Você fez o workshop há pouco tempo, como pretende encaminhar sua busca, participa de manutenções? Isso tem ajudado?
Jackson - Nossa... o processo de busca é infinito... há sempre algo a aprender, a sentir, a aprofundar... Depois do curso, fui às duas manutenções mensais oferecidas e posso falar que está fluindo. É um aprofundamento do curso fundamental para continuar com esse processo de autoconhecimento. O curso é a porta de entrada, existem outras tantas portas para a gente atravessar... isso se buscarmos, se desejarmos. Como dizia Raulzito "É tudo da Lei!".

Eneagrama - Ainda é cedo pra falar de possíveis mudanças depois de descoberto o ego, mas conseguiu ver alguma em você, mesmo pequenas que sejam?
Jackson - Tenho me observado mais, todos os dias, todos os momentos, agora de forma mais sistemática e mais objetiva. Isso o curso me permitiu. Antes me observava mas de forma mais atabalhoada, dispersa. Agora vejo que faço de maneira mais centrada. Isso tem me ajudado a me amar mais, a me reconhecer, a ver que preciso ser menos severo e mais realista com minhas virtudes e defeitos. E que preciso de muito amor, que tenho muito amor para oferecer. Mas, ao mesmo tempo, entender que as mudanças são graduais. Tudo ao seu tempo.

Eneagrama - Para quem você acha que esse Workshop, esse caminho é indicado?
Jackson - Para todo mundo que quer se autoconhecer. No curso você descobre que, independentemente do tipo de ego, todas as pessoas querem ser felizes, estão buscando crescer e se conhecer. Você descobre sim, que você é a pessoa mais importante para você mesmo no mundo. Mas também descobre que essa verdade vale para todos! Ou seja, o individual e o coletivo andam de mãos dadas com a vida, com a Terra, com o Cosmos. Nossa sociedade ocidental é que teima em separar tudo, em fragmentar o que é indivisível. Portanto, pode confiar, se autoconhecer sempre vale a pena ... mesmo que a alma seja pequena (ops, desculpe a brincadeira, heim, Fernando Pessoa!)


Testimonial

Vera Volotão, artesã e professora, revela as mudanças significativas que ocorreram em sua vida a partir da experiência com o Eneagrama.
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